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Cap. 14

março 25, 2009

Toc. Toc. Bom dia. Ele tinha três olhos. Bom dia. E me disse. Com um dos olhos sorridentes. Disse. Sorrindo com a boca também. Que eu deveria levar a caixa. Mostrando os dentes. Para mim. Levar para outro lugar. Aquela caixa. Não poderia ficar aqui. Comigo. Ou. Ali. No quarto estrangulado pelo lençol. Coberto. Pela escuridão. E o lençol. Mas ela não é minha. Agora é. Para onde? Qualquer lugar. Menos aqui? Exato! Qualquer lugar. Onde? Qualquer um. Onde? Menos aqui. Fechei a porta. Ele fechou o olho. Azul. O céu estava azul. E o sol quente. Com a caixa. Embrulhada. Com a caixa. Embaixo dos braços. Aquela caixa. E eu. Onde iria? Posso ficar aqui. Neste hotel não permitimos. Uma caixa? Exato. Uma caixa é só uma caixa. Aqui não. Obrigado. Desculpe. E aqui. Só sem. Sem a caixa. Sem nenhuma. Caixa maldita. Andei. E o olho. E o céu. E o azul. E o sol. E a maldita. Todos. Comigo pra lá. Pra cá. Sem direção. Resolvi. Abaixei. Fingi amarrar o cadarço que não existia. Eu. A caixa do lado. E o sapato. Sem cadarço. Levantei. Eu. E o sapato. Sem a caixa. Deixada. Aqui e depois ali. Logo ali. Longe de mim. Não sei de caixa nenhuma. Nunca vi. Caixa? Que caixa? Temos suas impressões digitais. Temos olhos que te viram. Três, depois dois, mais dois. São sete. E uma caixa. E uma pessoa. Você. Imaginei diversas situações. Detetives. Repórteres. Foi encontrada uma caixa com ma cabeça. Foi encontrada uma caixa com uma bomba. Foi encontrada uma caixa. Suspeita. A polícia vai investigar. Na televisão. Eu nos jornais. Meu rosto que tentei esquecer. No espelho. Meu corpo que deveria ter virado fumaça. No último gole de vinho. Não posso deixar aquela caixa. Ali. Sozinha. Voltei. Correndo. Tentando acender um cigarro. Tentei correr. Não consegui acender. Não tinha cigarros. Não tinha fogo. Não tinha mais caixa nenhuma. Cadê a caixa? Sumiu. O homem de três olhos. Foi ele. Ou foi o os dois com dois olhos? A rua estava deserta. Agora era eu e o azul. Só. No lugar da caixa. Um cartão. Um número anotado. E do lado um telefone. Nunca atenda ao telefone foi o que sonhei. Mas era diferente. Eu tinha um número. E um telefone público. Eu tinha uma moeda. Eu tinha a curiosidade. Disquei. Chamou. Atendeu. Alô? Droga! Desculpe. Não é culpa sua. Esta bem. Preciso desligar. Espere. Não posso. Só uma pergunta. Sem perguntas. Não desligue! Não podia ter atendido o telefone. Como? Desligou.

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